terça-feira, 1 de maio de 2012

"Calma aí, nego,


                   



você não pode entrar na minha vida sem mais, nem menos, bagunçar os meus sentimentos e partir. É contra as regras, digo, é contra as minhas regras. Você tem direito de não querer tentar e tudo bem, no fim, eu sei que é o melhor pra mim. Mas me diz uma coisa, como ficam as lembranças, as fotos? Me diz como vão ficar os nossos dias especiais. Melhor, não diga, eu lhe direi. Vão ser vazios até que eu me acostume com isso. Mas, não, espera aí, você entrou na minha vida, você bagunçou meus pensamentos, meus sentimentos, bagunçou a minha cama, usou meu chuveiro, meu sofá, minha cozinha. Me fez de travesseiro, de boneca, de cozinheira e quase namorada. Você escolheu a cor das minhas unhas, do meu cabelo e até a cor das minhas calcinhas. Você fez minha cabeça, me fez ser menina e mulher, me fez explodir de felicidade e transbordar de ciúmes, me fez fazer planos. Me fez assistir Chave, te dedicar horas iguais. Me deixou marcas, me fez chorar e perder noites de sono. Você chegou e me fez usar a inocência e a safadeza de uma vez só. Já decidimos os nomes dos nossos filhos, aliás, teremos dois, você planejou isso, se é que se lembra. Você entrou na minha mente, usou e abusou da minha boa vontade e eu confiei em você. Eu me entreguei pra você, eu acho. Você virou mania, costume, amante, quase namorado, melhor amigo e ao mesmo tempo nada. Dá pra entender? Você foi tudo e nada ao mesmo tempo! Você me confundiu, não, eu me confundi. Você deixou seu cheiro nos meus lençóis, no meu colchão. Por você eu virei "pata", "princesa", "be" e "vida". Você me trouxe manias e vícios não tão bons assim. Você é das drogas, a pior. E você diz que tá comigo, mas, nego, eu sei que cê não tá. Você entrou na minha casa, na minha vida, na minha mente. Virou mania, costume, tudo e nada, me fez de "amor" a "minha princesa", de "ficante" a "mãe dos meus filhos", e quer sair assim?! Antes das das cortinas fecharem, dos créditos finais, da última música? Calma aí, nego, ainda tem show, a peça não acabou. Senta e pede mais uma dose de mim, não vai te custar nada, só o seu precioso tempo. Não perde a melhor hora do show não, que é nessa parte que eu vou dizer que te quero. Espera a peça acabar, o palhaço sair, as letrinhas subirem, o melhor ainda está por vir, eu vou te pedir pra ficar. Mas, espera aí, nego, calma lá, se quiser ir, vai! Se for falta de "adeus" eu aprendo a falar até em Chinês pra você ir embora feliz. Se for ir embora, leva as lembranças, apaga o meu número, esquece o meu show, esquece a mim. Vai lá e me esquece e de volta te esquecerei também. Mas se quiser ficar, nego, eu deixo de lado o cigarro, o esqueiro e de quebra a Tequila. Mas se for mesmo embora, fecha a porta de nós dois e grava no cérebro: Meu desapego é único!
Calma lá, nego, nem tudo está perdido, ainda não fecharam as cortinas do espetáculo que somos nós dois juntos."

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